Comunidade Científica ReloadedO Uso de Ferramentas Online e da «Web Social» como Auxiliares Académicos
V Congresso da SopCom (Comunicação e Cidadania), Sessão Temática de «Tecnologia, Linguagem e Cidadania», Braga, Universidade do Minho, 6 a 8 de Setembro de 2007, organização da SopCom: Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação Actas do V Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, Braga, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, pp. 1407-1425. Peço-vos que façam uma viagem mental no tempo, recuando até há cerca de 15 anos. Quantos de vós tinham na altura ligação à Internet, quantos usavam e-mail? As tarefas académicas nem por isso ficavam por finalizar: terminavam-se teses de doutoramento -- muitas já redigidas recorrendo a processadores de texto --, escreviam-se artigos científicos, organizavam-se encontros como este congresso, convidando-se inclusive especialistas estrangeiros, entrava-se em contacto com os colegas da mesma área, resolviam-se questões administrativas ou pedagógicas... A Internet era algo de que se ouvia falar, mas coisa das ciências «duras»; talvez alguns investigadores das ciências sociais ponderassem aderir ao e-mail, uma curiosidade tanto ou mais exótica do que um telemóvel. Apenas alguns anos depois -- usemos 1995 como ponto de referência um pouco ao acaso --, nada disto era novidade. Não vale a pena invocar por agora estatísticas, até porque as desse ano hão-de ficar irremediavelmente por fazer, mas todos os presentes devem partilhar dessa noção algo difusa de que, na viragem para a segunda metade da década de 90, muitos colegas já acediam à Internet e começavam a desenvencilhar-se no uso de ferramentas como os motores de busca. Mais um quinquénio -- para atingirmos o redondo ano de 2000 -- e aqueles que não possuíam pelo menos um endereço institucional de e-mail começavam a ser uma minoria a perder significado estatístico. Ou talvez nem tanto, como nos dizem os dados do Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento1, para esse ano já disponíveis. Segundo estes, eram apenas 70% os «Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas» que possuíam em casa ligações à Internet2. Apesar de poderem considerar-se uma elite na adopção desta tecnologia, liderando, por comparação com outros grupos de profissões, a percentagem de acessos -- sendo, aliás, o único grupo em que os 50% eram ultrapassados --, o valor era ainda bastante baixo para os padrões de hoje. Claro que os números -- pelo menos estes, que inquéritos posteriores iriam ser um pouco mais aprofundados -- não revelam tudo. Medir as competências de utilização, algo a que poderíamos chamar «literacia electrónica» se não fôssemos tão avessos a expressões similares, é tarefa menos fácil do que saber se se tem ou não acesso à Internet em casa, ou mesmo qual a regularidade com que se consulta o e-mail ou um qualquer site. Digamos, apenas para estabelecer algum tipo de diferenciação, que até em algo aparentemente tão simples como o envio de um e-mail se podem encontrar diversos níveis de competência, e que esses só podem ser avaliados por observação directa, servindo-nos de metodologias como aquelas a que Jakob Nielsen recorre nas suas pesquisas sobre usabilidade3. Por exemplo, mesmo presumindo que actualmente todos os membros da comunidade académica são capazes de compor e enviar um e-mail, quantos sabem alternar entre a composição em modo texto ou em modo HTML, quantos sabem como acrescentar uma assinatura automática, ou, a um nível um pouco maior de complexidade, criar regras e filtros para direccionar o correio para pastas distintas consoante o assunto, algo possível qualquer que seja a aplicação usada, e inclusive permitido por alguns serviços de webmail? Note-se que até a expressão «acesso à Internet» tem o seu quê de ambíguo. Estritamente falando -- e mesmo assim simplificando --, a Internet é apenas a infra-estrutura tecnológica que permite, graças a um conjunto de protocolos de transmissão, conectar uma multiplicidade de servidores entre si e computadores individuais a esses servidores. E se há apesar de tudo a percepção de que o e-mail é apenas uma de entre muitas aplicações possíveis, já o equívoco se torna muito mais disseminado quando nos referimos à World Wide Web ou WWW, termo erradamente usado como sinónimo da Internet. O equívoco merece de resto um breve desvio, que ajudará a clarificar os nossos propósitos. Nos anos 90 ainda era possível, como o fez por exemplo Gustavo Cardoso na sua tese de mestrado, publicada com o título Para uma Sociologia do Ciberespaço (Cardoso, 1998), enumerar uma lista de ferramentas associadas às ligações em rede -- muitas delas com um estatuto similar ao do e-mail, isto é, possíveis em redes que não a Internet --, estando cada ferramenta associada a uma categoria de software. Tínhamos assim, e sem esgotar a lista, os newsreaders que permitiam subscrever listas de discussão da Usenet, os terminais de comando de tipo Telnet, os programas de transferência de ficheiros através de FTP e, mais para o final da década, as aplicações de «Instant Messaging» e de acesso aos canais de chat. Um primeiro sinal de convergência foram os clientes de e-mail que permitiam também ler newsgroups -- caso do Microsoft Internet Mail & News, que posteriormente mudaria de nome para Outlook Express. Todavia, o mais indelével viria a ser a integração do e-mail, até aí exigindo aplicações específicas, com a World Wide Web. A data mais provável para esse momento de viragem é o dia 4 de Julho de 1996, quando uma pequena companhia, que depressa seria adquirida pela Microsoft, lançou o Hotmail4. Com este serviço, não só era possível manter um endereço de correio electrónico não associado a qualquer companhia ou ISP como -- e mais importante -- se podia consultar a caixa de mensagens em qualquer local com acesso à Internet e com um browser. Para um purista, a desvantagem de não poder armazenar offline uma grande quantidade de mensagens talvez desaconselhasse o serviço, mas depressa foram introduzidas possibilidades complementares que o tornavam mais aliciante, como a de aceder a contas de outros ISPs e a de receber e arquivar mensagens num tradicional programa de mail. Antes de 2000, boa parte dos ISPs -- inclusive em Portugal -- já disponibilizavam serviços de webmail nos seus portais, procurando com isso fidelizar clientes ao permitir o «melhor de dois mundos». Se há estatísticas sobre esta questão aparentemente tão corriqueira -- saber como se distribuía e como evoluiu o uso destas duas formas, para alguns complementares, para outros exclusivas, de acesso ao e-mail -- é algo que desconheço. Argumento, contudo, que não estamos perante algo insignificante. Ter um programa de e-mail com um largo arquivo, mantendo a caixa de correio no servidor limpa e acedendo esporadicamente ao webmail, configura um tipo de utilizador. Aceder exclusivamente ao webmail -- o que até ao aparecimento do GMail (que com a sua vasta capacidade de armazenamento online acordou da letargia toda a concorrência) obrigava a uma constante eliminação das mensagens antigas -- configura um utilizador bastante diferente. E entre esses dois «ideais-tipo», todo um conjunto de nuances a carecer de análise.
O triunfo da WWWTambém não é aqui o lugar para fazê-la. Retomamos, em vez disso, o fio à meada, já que o advento do webmail nos serviu apenas como ilustração de um processo de convergência que terá tido início na segunda metade da década de 90 e que se tornou irreversível nos últimos cinco anos: o triunfo da WWW e do seu braço direito, o browser, que absorveram (ou que nalguns casos aniquilaram) protocolos e tecnologias concorrentes. O que, pelo menos dum certo ponto de vista, terá tido um efeito interessante: à excepção do uso do e-mail, a consulta da World Wide Web -- desde o início considerada um repositório de todo o tipo de informação -- é a única outra utilização da Internet considerada produtiva num contexto de trabalho, académico ou outro. Sobre todas as outras que antes enumerámos, em particular os chats e outros sistemas de comunicação instantânea, recai o estigma de não se lhes vislumbrar uma utilidade. Ao fundirem-se com a WWW, tornando-se por isso acessíveis a partir dum browser, puderam pelo menos ocultar-se, como quando uma criança esconde uma revista de banda desenhada no interior dum manual escolar. É a busca de um perfil desses e doutros usos possíveis da web aquilo que motiva esta comunicação. Nos anos mais recentes, como acabei de referir, a WWW expandiu-se, aproximando-se um pouco mais do sonho de Tim Berners-Lee5, mas também se alterou, mostrando possibilidades então apenas latentes. Uma das facetas mais visíveis desse desenvolvimento foram os blogs, que por volta de 2003 tomaram Portugal de assalto. Ao contrário dos sites pessoais, que exigem algum conhecimento de HTML, para ter um blog pouco mais é necessário do que abrir uma conta e dar largas à imaginação, ainda que depois os leitores escasseiem. Acrescente-se a isso uma forte associação entre blogs e activismo político -- cá como noutros países -- e está aparentemente garantida uma fórmula para o sucesso, mesmo que a realidade não acompanhe esta imagem idealizada. Talvez só uma minoria da população tenha criado (e, mais importante, mantido regularmente) um blog; talvez o número de leitores regulares, mesmo entre as faixas mais informadas da população, seja menor do que se imagina, ou tenha decrescido depois da explosão inicial. Pouco se sabe, mas ao menos o termo «blog» entrou no vocabulário comum, algo que se torna muito mais incerto quando voltamos o nosso olhar para outras «novas faces» da WWW. Uma lista, mesmo que incompleta, dessas ferramentas obrigaria a mencionar pelo menos os wikis, os serviços de armazenamento de imagens, vídeos e outro conteúdo multimedia, os de armazenamento e partilha de bookmarks, e as chamadas redes sociais, como o MySpace ou o Hi5, que, embora partindo de algo anterior à própria World Wide Web -- os newsgroups e fóruns de discussão --, começam agora a distinguir-se desses seus «progenitores». Até mesmo a imagem tradicional da WWW como «biblioteca universal», na feliz expressão de António Fidalgo (1999), se alterou, à medida que serviços como a b-On, a Web of Knowledge ou a portuguesíssima BOCC centralizaram -- com isso facilitando -- o acesso a artigos de teor académico. Ora, acontece que uma parte bastante significativa desses e doutros novos serviços (de entre os quais recuperaríamos os blogs) possui uma série de características comuns, que autorizam que os agrupemos debaixo de uma qualquer unidade taxonómica. O «nome guarda-chuva» que parece actualmente acolher mais seguidores é o de «Web 2.0». O facto de este ter sido proposto pelo presidente de uma empresa de manuais de programação, Tim O’Reilly (cf. O’Reilly, 2005), não constitui um bom «cartão-de-visita», pelo menos num contexto de rigores académicos do qual se deve afastar tudo o que aparente ser um slogan saído duma campanha de marketing. É, além disso, uma expressão tão vaga que dela não se infere qualquer diferença a não ser a abstracção do número: de 1.0 para 2.0 -- algo que não ocorre com outras expressões que com ela competem, como a de «web semântica» ou «web social». Fortes reservas, sem dúvida, mas que preferimos suspender invocando um argumento com tanto de nominalista como de pragmático -- mais vale um nome que diz pouco mas que sugere muito do que um outro que responde em vez de estimular o questionamento. «Web 2.0» tem como vantagem o facto de apontar para uma mudança em curso, uma mudança comparável à que começou há cerca de década e meia, apesar de nada nos dizer acerca dessa eventual mudança, obrigando-nos por isso a identificá-la… ou, no pior dos cenários, a negar a sua existência.
1 + 1 + 1 + 1 = 2.0?Adiantámos acima um hipotético primeiro traço definidor da «Web 2.0»: a convergência das múltiplas utilizações possíveis da Internet numa rede que as integra, a WWW, num protocolo que as funde, o HTTP, e numa «carapaça» que as uniformiza, o browser. Mas não é essa a única convergência. Ainda que despontando um pouco mais tarde, uma outra começa a igualar-se em relevância: a diluição da oposição entre as aplicações desktop -- isto é, que correm num computador local, com ou sem conectividade à Internet -- e as aplicações online, que têm o webmail ou os motores de busca como ilustração paradigmática. Terceiro traço -- ainda que aquele relativamente ao qual devamos de ser mais cuidadosos -- é o carácter «colectivizante» (ou seja, colaborativo, se não mesmo «social») de algumas dessas aplicações. Não significa isso que a primeira vaga da WWW tivesse sido «individualizante», pois não só os sites pessoais coexistiam já com os newsgroups como boa parte dos blogs existentes é ainda mais um «olhar para o umbigo» do que muitos dos sites que povoavam o Terràvista ou o Geocities. Mas até o menos visitado dos blogs pode abrigar comentários, a não ser que o respectivo autor prescinda dessa possibilidade6, e o mesmo pode actualmente ser dito da opção de subscrever esses blogs como feeds em RSS ou Atom. Os feeds configuram de resto uma última característica a assinalar, a crescente separação entre conteúdo e apresentação. Renovando as especificações iniciais do HTML, que procurava ser transparente ao modo como cada browser exibia o documento a partir da marcação da sua estrutura, as folhas de estilo permitiram conciliar essa premissa com as exigências de uma estética e de um branding visual de cada site. Com os feeds, essas exigências são de novo descartadas em favor de um «conteúdo a pedido» que agrega diversas fontes (de notícias, blogs, etc.). Ora, mesmo reconhecendo o carácter demasiado geral de cada uma destas características, uma nova tendência começa a emergir quando as combinamos. Para que algum site ou serviço online mereça a etiqueta «Web 2.0» deverá pois explorar, de forma relevante, um ou mais desses traços. Em número cada vez mais significativo, muitos desses serviços apresentam ainda uma característica adicional: a de serem concebidos ora como locais onde se acede à informação (num sentido que apelidaremos, mau grado uma potencial conotação negativa, como «utilização passiva»), ora como ferramentas de produtividade (a «utilização activa»)7. Em ambos os casos, funções que se tornam particularmente relevantes em áreas de actividade como a académica. Tal como outrora o uso da Internet (e, em particular, da «Web 1.0») se disseminou logo que se tornaram evidentes potencialidades similares do e-mail e da WWW -- o que poderá constituir uma das razões que fizeram das «Profissões Intelectuais e Científicas» uma guarda avançada da adopção dessas «novas» tecnologias --, é bem possível que o mesmo venha a ocorrer com esta mais recente vaga de serviços.
Em busca de tendênciasImporta por isso saber se há sinais que confirmem essa hipotética tendência, o que obriga a que se faça um retrato das actuais práticas de utilização da WWW por parte da comunidade científica. Reconhecemos que tal exigiria uma investigação aprofundada, algo que ultrapassa de longe os modestos objectivos do pequeno estudo preliminar que realizámos, e do qual aqui damos conta. Em vez de tomarmos como o universo toda a comunidade académica -- na qual teriam de ser incluídas e diferenciadas as múltiplas áreas do conhecimento, das ciências físicas e matemáticas às humanidades --, concentrámo-nos por ora apenas nos docentes e investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a quem distribuímos um inquérito destinado a avaliar o modo como se servem do computador, e em especial da Internet, como instrumento de trabalho. A algo baixa percentagem de respostas (25 num total de 2928, o que corresponde a 8,56%) não deixa contudo de trazer dados relevantes que, num futuro próximo, poderão servir como ponto de partida para essa desejada análise simultaneamente mais alargada e mais profunda. Façamos então uma rápida resenha ao que esse inquérito permitiu apurar, particularmente no que respeita à eventual existência de correlações entre as diferentes variáveis em jogo. Do inquérito constavam quatro grandes grupos de questões. No primeiro grupo, os dados pessoais dos respondentes -- idade, sexo, grau e categoria académica, por exemplo. No segundo, uma primeira caracterização do modo como se servem do computador como ferramenta de trabalho -- qual o sistema operativo que utilizam preferencialmente, qual o browser, qual o programa de correio electrónico. No terceiro grupo de questões, apresentava-se uma lista categorizada de serviços da web na perspectiva da «utilização passiva», inquirindo-se acerca da regularidade com que se acede a conteúdos disponibilizados pelas diversas fontes que correspondem a cada uma das categorias -- os blogs, os jornais online, os serviços de fotografias e vídeo, o e-learning enquanto formando, os repositórios de artigos académicos como a Web of Knowledge, a Wikipedia, etc. Para quantificar essa regularidade, servimo-nos de uma escala de 0 (serviços a que nunca recorreu) a 4 (serviços a que recorre mais de uma vez por semana), havendo ainda, quando tal era relevante, a possibilidade de indicar em que casos se acede a estes a partir de um leitor de feeds. No caso da imprensa online e dos blogs, questionou-se ainda quais os títulos e as temáticas mais recorrentes. Finalmente, no quarto grupo de questões, apresentavam-se também serviços da web (alguns já presentes no grupo anterior), mas desta vez com o objectivo de averiguar a regularidade dos acessos na perspectiva da «utilização activa», isto é, assumindo-se o inquirido como produtor de conteúdos, mesmo que com fins privados -- de novo os blogs, agora enquanto autor, os sites pessoais, os serviços de partilha de documentos ou bookmarks, o e-learning enquanto formador, etc. Além de uma escala semelhante para medir a frequência de utilização, procurámos também saber, no caso dos blogs e sites pessoais, quais as respectivas temáticas, e, no caso da Wikipedia, em que língua foram feitas edições e se os inquiridos o fizeram como utilizadores anónimos ou registados. Somando todas as variáveis às quais aplicámos a já referida escala de 0 a 4, encontramos, no conjunto das respostas, uma média de 15,28 pontos (num máximo de 32 possíveis) para aquilo a que chamámos «utilização passiva», e de 5,2 (num máximo de 48) para a «utilização activa» [cf. Figura 1]. O desvio padrão é de aproximadamente 5,05 para a «utilização passiva»9. Estes serão, regra geral, os valores de referência para a análise que se segue.
Figura 1: Frequências de Utilização Passiva e Activa.
Podemos desde já descartar como pouco relevantes, ao menos nesta pequena amostra, as possíveis correlações entre os dados pessoais e a utilização da WWW, quer no modo passivo quer no activo. Em todo o caso, apresentamos três ilustrações que em estudo posterior poderão revelar tendências mais marcadas do que as desta amostra. No caso da idade dos respondentes, que se estende dos 31 aos 59 anos (sendo a média de 47,72 e a mediana 48), efectuando o cruzamento desta variável com os somatórios de utilização passiva e activa, verifica-se que os valores de utilização -- em particular no modo activo -- são ligeiramente mais baixos nos respondentes mais velhos, mas a variação não chega a ser significativa [cf. Figura 2]. Obtém-se resultado similar agrupando os dados em faixas etárias de 5 anos cada [cf. Figura 3]: apenas a faixa «45-49 anos» para a «utilização passiva» e as faixas «40-44 anos» e «Menos de 35 anos» para a «utilização activa» apresentam resultados que se afastam acima das médias respectivas.
Figura 2: Relação entre idades e Utilização Passiva e Activa.
Figura 3: Relação entre faixas etárias e Utilização Passiva e Activa.
Aplicando o mesmo raciocínio a outras duas variáveis que de certa forma estão ligadas à idade, o grau académico e a categoria profissional, observam-se flutuações muito semelhantes [cf. Figuras 4 e 5]. Para a «utilização passiva», a variação é mínima, apenas ficando um pouco abaixo da média para os inquiridos com doutoramento mas sem agregação e, no caso da categoria profissional, para os professores associados10. Já no caso da «utilização activa», as variações tornam-se mais acentuadas. Os docentes com doutoramento ou agregação apresentam valores abaixo da média, contribuindo significativamente os docentes sem doutoramento (com licenciatura ou mestrado) para subir a mesma. O mesmo ocorre na categoria profissional, com os assistentes a apresentarem valores acentuadamente acima das outras categorias e, a fortiori, acima da média11.
Figura 4: Relação entre Grau Académico e Utilização Passiva e Activa.
Figura 5: Relação entre Categoria Profissional e Utilização Passiva e Activa.
Mais significativo, ainda que previsível, é o esmagador número de utilizadores do sistema operativo Windows: 23 (isto é, 92%) contra apenas 2 adeptos dos Apple Macintosh e nenhum do Linux. Esta tendência repete-se, ainda que ligeiramente enfraquecida, quando olhamos para os programas de e-mail e para os browsers adoptados [cf. Figuras 6 e 7].
Figura 6: Relação entre sistema operativo, programa de e-mail e browser.
Figura 7: Relação entre sistema operativo, browser e programa de e-mail.
Reduzindo a amostra aos utilizadores de Windows12 (e não contabilizando neste caso específico um inquirido que usa tanto o Internet Explorer (IE) quanto o Firefox), temos 10 que se servem do Outlook Express, 7 que usam o mais «pesado» Outlook, 4 que apenas consultam o correio através dos serviços de webmail, e 1 que utiliza o Mozilla Thunderbird. Somando os 10 que respondem «Outlook Express» aos 7 que respondem «Outlook», temos 17, um número coincidente com os inquiridos que também se atêm ao browser nativo do Windows, o Internet Explorer. Note-se contudo que, apesar dessa coincidência nas frequências de utilização entre os dois Outlooks e o IE, só em 15 dos casos esta ocorre de facto nas respostas, o que ainda assim aponta para uma forte correlação entre as duas variáveis [cf. Figura 8]. Dos apenas 5 utilizadores do browser Mozilla Firefox, há 2 que usam webmail, 1 que usa o Outlook, 1 que usa o Outlook Express, e 1 que usa o Mozilla Thunderbird, desfazendo-se aqui qualquer correlação do tipo da encontrada no caso daqueles que usam exclusivamente o IE.
Figura 8: Relação entre browser e programa de e-mail (apenas em S. O. Windows).
Também relevante -- mas não a ponto de podermos dá-la como provada -- parece ser a relação entre o browser escolhido e as utilizações activa e passiva dos serviços da web. Sendo o Firefox um browser alternativo ao que vem com o sistema operativo, não é de estranhar que aqueles que o adoptam demonstrem uma atitude mais curiosa e menos conservadora perante as potencialidades da WWW. Somando todas as variáveis às quais aplicámos a já referida escala de 0 a 4, encontramos no conjunto das respostas, e como já referimos acima, uma média de 15,28 pontos para aquilo a que chamámos «utilização passiva» e de 5,2 para a «utilização activa». Olhando apenas para os 5 respondentes que usam exclusivamente o Firefox, a média para o primeiro conjunto de variáveis ascende de 15,28 a 18,4 e, para o segundo, de 5,2 a 11,4; no caso dos utilizadores do IE, a média de 15,235 quase coincide com a global no caso da «utilização passiva», mas baixa para quase 3,65 no caso da «utilização activa». Acreditamos estar, por isso, perante uma correlação a merecer especial atenção numa investigação mais aprofundada.
Figura 9: Relação entre browser e Utilização Passiva e Activa.
A confirmar esta tendência, que classificaríamos como «conservadora», verifica-se que apenas 3 dos inquiridos utilizam agregadores de feeds em RSS ou Atom -- curiosamente, um usando agregadores online, um usando aplicações instaladas no computador, e um terceiro recorrendo a ambas as possibilidades. De novo confrontando esta variável com as utilizações da WWW [cf. Figura 10], confirma-se que em média a regularidade com que usam cada uma das categorias é distintamente superior à daqueles que não utilizam leitores de feeds (olhando para as três respostas uma a uma, estas são sempre pelo menos próximas da média de 15,28 para as «utilizações passivas»13, e apenas num dos casos atipicamente baixa para as «utilizações activas»14).
Figura 10: Relação entre uso de leitores de feeds e Utilização Passiva e Activa.
Nota também curiosa é o facto de qualquer destes três respondentes usar aplicações de gestão bibliográfica -- de que o EndNote é o programa mais conhecido --; os outros 5 que respondem afirmativamente a esta questão apresentam também bons resultados quer para a «utilização activa» quer -- aí com algumas excepções -- para a «utilização passiva» [cf. Figura 11].
Figura 11: Relação entre uso de software de gestão bibliográfica e Utilização Passiva e Activa.
Estabelecidas as correlações mais relevantes entre os dois primeiros e os dois últimos grupos do inquérito, é agora o momento de olhar apenas para as duas formas de utilização da WWW. No que respeita àquilo a que chamámos «utilização passiva» [cf. Figura 12], e que de certa forma constitui a ponte entre a «Web 1.0» e a «Web 2.0», verifica-se que, de modo geral, há um conhecimento (e uma utilização) no mínimo razoável destes serviços. Os que triunfam em popularidade são, talvez previsivelmente, os jornais online, conhecidos de todos e consultados com grande frequência (mais de uma vez por semana) por 48% dos respondentes15, subindo o número para 66% quando contabilizados os que o fazem pelo menos uma vez por mês. Quando mencionados os títulos -- ainda que a maioria (76%) tenha optado por não o fazer --, o jornal Público lidera, sendo mencionado em 5 das 6 respostas, seguido por referências esporádicas a outros diários portugueses (Diário de Notícias e Jornal de Notícias), a periódicos internacionais de referência (Le Monde e Guardian, o New York Times Review of Books) e, num caso, também a publicações do foro académico. De perto seguem a Wikipedia, com 56% a consultarem-na pelo menos uma vez por mês (ainda que só metade o faça pelo menos uma vez por semana), e os blogs, com 52% também a consultarem pelo menos uma vez por mês (e mais uma vez 28% a fazê-lo pelo menos uma vez por semana). Também previsivelmente, o tema mais mencionado pelos leitores de blogs é a política (12 referências, sendo 17 os que respondem a este campo), seguindo-se a ciência (6 referências) e a educação (5). Literatura, artes, comunicação, tecnologia e estudos femininos são outros dos temas mencionados.
Figura 12: Frequências de Utilização Passiva.
Ainda no que respeita a este recurso à WWW como fonte de informação, relativa surpresa é, embora posicionada imediatamente a seguir, a consulta de revistas e outros recursos académicos online, de que são ilustrações a b-On ou a Web of Knowledge. 7 respondentes (28%) referem uma utilização nula ou rara de tais serviços, sendo que 3 (12%) mencionam não os conhecerem de todo. É certo que, configurando distribuição bastante uniforme da variável, 48% (12 respondentes) usam tais serviços pelo menos uma vez por mês, se não mesmo mais frequentemente; sabendo-se todavia o quanto foi investido, tanto na abertura destes serviços à comunidade académica quanto na divulgação dos mesmos, estes resultados merecem, em eventual estudo posterior, redobrada atenção. Tal torna-se ainda mais intrigante pelo facto de, do cruzamento com outras variáveis (grau académico, departamento, idade, frequências de utilização activa e passiva), não emergir qualquer correlação relevante. É certo que a média da frequência de «utilização passiva» sobe de 15,28 para 18 quando apurada apenas para os que utilizam regularmente estes serviços, e que a de «utilização activa» sobe igualmente de 5,2 para 6,42, mas não é ainda um crescimento significativo16.
Fechamos esta caracterização com outros serviços menos frequentemente usados. Os maiores desconhecimentos situam-se ao nível dos serviços sociais de notícias17 (10 respondentes, isto é, 44% da amostra, desconhecem de que se trata), dos serviços de e-learning (36% desconhecem-nos), e dos serviços de partilha de fotos e imagens (que 40% também desconhecem). Este último é de resto o caso mais peculiar, pois trata-se de serviços em tudo similares aos de partilha de vídeo (de que o YouTube é sem dúvida o mais divulgado), que se popularizaram quase dois anos depois18 mas que só um dos respondentes afirma desconhecer. Comparando os dois serviços verifica-se que nesta amostra há 14 respondentes (56%) que acedem aos serviços de vídeo como «espectadores» pelo menos ocasionalmente (com 9, isto é, 36%, que o fazem pelo menos uma vez por mês), enquanto no caso das fotografias e imagem só 3 (12%) o fazem com essa regularidade; dos restantes, 12 (48%) nunca usaram ou raramente o fazem e 9 (36%) nem sequer conhecem os serviços, algo que ocorre apenas numa das respostas relativas à categoria dos vídeos. Claramente, a popularidade do vídeo depressa atingiu uma «velocidade de cruzeiro» a que os serviços de imagem ainda aspiram. Orientando agora o nosso olhar para os usos mais «activos» da WWW, aqueles onde a expressão «Web 2.0», mesmo que não lhes sendo exclusiva, ganha maior substância, tudo indica que se trata de um terreno ainda muito pouco explorado, ao menos pelos inquiridos. Em qualquer das 12 categorias apresentadas no inquérito [cf. Figuras 13a e 13b], as frequências de utilização são esmagadoramente baixas, ainda que com ocasionais picos. A resposta mais comum é, de resto, «Não possuo» ou «Não estou inscrito»19, não havendo um único caso em que a média -- numa escala de 0 a 4, recorde-se -- atinge o valor 1,0.
Figura 13a: Frequências de Utilização Activa (1.ª parte).
13b: Frequências de Utilização Activa (2.ª parte).
Os serviços que mais se aproximam, respectivamente com uma média de 0,913 e de 0,8, são os de armazenamento de vídeo e os sites pessoais. Neste último caso, e apesar de ser a forma pioneira de colocação de conteúdos na World Wide Web, dos 25 inquiridos, 19 (76%) não o têm, seja por relutância em ter um site pessoal ou por não estarem dispostos a adquirir as competências técnicas necessárias20. Contudo, aqueles que ultrapassaram essa relutância actualizam-no com uma frequência bastante elevada: a média sobe para 3,33 quando restrita aos que têm páginas pessoais, havendo portanto uma maioria que as actualiza pelo menos uma vez por mês, se não mesmo pelo menos uma vez por semana. De modo geral, esses sites são preenchidos com as temáticas das aulas e das áreas de especialização a que estão ligados, algo que curiosamente se repetirá no caso dos blogs, onde se imaginaria uma maior liberdade na escolha dos conteúdos. Quanto aos serviços de vídeo, trata-se da situação mais inesperada, mas talvez possa explicar-se por uma diferenciação -- que não foi sugerida nem testada no inquérito -- entre apenas possuir uma conta activa em sites como o YouTube (o que permite armazenar vídeos favoritos, divulgá-los em blogs ou páginas pessoais e subscrever utilizadores ou temas, possibilidades que estão vedadas a utilizadores não registados) e ser um verdadeiro produtor de conteúdos. A média elevada -- ainda que com apenas 7 respondentes inscritos -- é em todo o caso significativa, e é coerente com as respostas dadas a propósito dos mesmos serviços, mas numa utilização passiva. Em praticamente todos os outros serviços, o panorama é ainda mais árido. Por ordem decrescente das médias de utilização, temos os newsgroups21, os blogs pessoais e as aplicações de tipo «Office» orientadas para a web22, e, com médias já praticamente insignificantes, os serviços de gestão bibliográfica online, de armazenamento e partilha de imagens, de calendário, de transferência e partilha de ficheiros, de bookmarks, e, no fundo da tabela, a edição de artigos da Wikipedia, algo que só dois dos 25 respondentes afirmaram ter feito, e ainda assim raramente e como utilizadores anónimos.
Breve conclusãoA terminar, procurámos confirmar uma possível correlação entre, para cada um dos inquiridos, o grau de «utilização passiva» e o de «utilização activa», correlação essa que se vê algo enfraquecida pela baixíssima média encontrada no caso da segunda variável. Ainda assim, e desde que aplicando uma equação polinomial de grau 2 em vez da mais comum fórmula linear de regressão, consegue-se um coeficiente de correlação relativamente alto. Da observação do gráfico de correlação [cf. Figura 14], sugere-se a hipótese de que não só um maior grau de «utilização passiva» costuma ser acompanhado por um maior grau de «utilização activa» como que entre os dois poderá existir uma relação de mútua realimentação ao longo do tempo: quanto mais se utilizam os serviços da WWW -- sejam eles de tipo «passivo» ou «activo» --, maior será a tendência para continuar a usá-los (bem como aos seus complementares) e para descobrir novas e mais produtivas formas de recorrer à Internet.
Figura 14: Correlação entre frequências de Utilização Activa e de Utilização Activa.
A haver alguma plausibilidade nesta derradeira hipótese -- que muito gostaríamos que fosse testada numa ocasião próxima --, ficam ainda por explicar os resultados tão baixos da «utilização activa» para os investigadores na área das ciências sociais e humanas que constituíram a amostra deste estudo preliminar. No modelo da difusão das inovações de Everett Rogers23, os inovadores e os «early adopters» representam a vanguarda no que respeita à adopção de novas ideias, tecnologias, produtos ou serviços. Como vimos acima, os inquéritos à utilização das tecnologias da informação e da comunicação promovidos pelo Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento apontavam os «Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas» -- onde se inclui o mundo académico -- como representantes desta vanguarda. Contudo, a confirmarem-se as tendências aqui descritas, talvez seja necessário proceder a um conjunto de distinções ainda mais finas, pois a população aqui analisada, a comunidade das ciências sociais e humanas, parece antes enquadrar-se na categoria seguinte de Rogers, a da «early majority»24. O tempo dirá se em breve a «Web 2.0» lhes vai ser tão familiar quanto já o é a «Web 1.0», ou se, em vez disso, a própria «Web 2.0» vai falhar nas ambições que o próprio termo denota25.
Bibliografia: 2006 «Tim Berners-Lee on Web 2.0: “nobody even knows what it means”», Ars Technica, 1 de Setembro de 2006, última consulta online a 20 de Agosto de 2007. 1957 «The Diffusion Process», Special Report, vol. 18, n.º 1, pp. 56-77, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 1998 Para uma Sociologia do Ciberespaço: Comunidades Virtuais em Português, Oeiras, Celta. (1999) «A Biblioteca Universal na Sociedade de Informação», Revista de Comunicação e Linguagens, n.º 25/26 (‘Real vs. Virtual’), Lisboa, Cosmos, 1999, pp. 281-288. 2005 «The Danger of the “Early Adopter” Myth», última consulta a 20 de Agosto de 2007. 1993 Modelos de Comunicação para o Estudo da Comunicação de Massas, Lisboa, Editorial Notícias. s/d Alertbox: Current Issues in Web Usability, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2005 «What is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software», última consulta online a 2o de Agosto de 2007. 2000 Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa 2000, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2001 Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa 2001, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2002 Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa 2002, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2003a Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa 2003, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2003b Principais Resultados do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2003, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2004a Inquérito à Utilização das Tecnologias da Informação e da Comunicação pela População Portuguesa 2004, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2004b Principais Resultados do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2004, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007. 2005 Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação pelas Famílias 2005, Lisboa, Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento, última consulta a 20 de Agosto de 2007.
Notas: 1 Cf., para esse ano, o relatório do Observatório da Sociedade da Informação e do Conhecimento (OSIC, 2000). 2 Embora seja pouco claro quantos dos 30% restantes a ela acediam de outras formas, por exemplo no local de trabalho. 3 Cf., como ponto de partida, a sua coluna quinzenal Alertbox (Nielsen, s/d). 4 Raramente é relembrado que «HoTMaiL» (era esta a grafia inicial) ganhou o nome do facto de ser o primeiro serviço que apresentava as mensagens de e-mail na linguagem que os browsers entendem, o HTML. 5 Que podemos, para todos os efeitos, considerar o seu pai, na medida em que é o responsável pela criação do protocolo HTTP e da linguagem HTML (cf., inclusive para questões que serão afloradas mais à frente, Anderson, 2006). 6 Deve assinalar-se que levou algum tempo até que os principais motores de criação de blogs (em particular a tecnologia «Blogger», criada pela Pyra Labs e agora pertença da Google, Inc.) aceitassem comentários como uma das opções por omissão. Enquanto essa funcionalidade não se generalizava, abundavam contudo os serviços -- muitos deles gratuitos -- que a implementavam. 7 A oposição tem alguns pontos de contacto com o modelo de comunicação de Bordewijk e van Kaam (in McQuail e Windahl, 1993, pp. 174-180), que estabelece quatro tipos de fluxos ou padrões de comunicação: o da «alocução» (ou broadcasting), o da «conversação», o da «consulta» e o do «registo». Aquilo a que aqui chamamos «utilização passiva» coincide com o padrão da «consulta»; a «utilização activa» é um híbrido não contemplado nesse modelo: a «conversação» mediada por um servidor comum, isto é, pelo «registo». 8 Na verdade 293, excluindo-se o autor por razões óbvias. 9 Não foi considerado o desvio padrão (cujo valor é 7,43) para a «utilização activa», dado que as frequências, demasiado encostadas aos valores mais baixos, não se distribuem segundo uma curva normal ou similar. 10 Note-se que nenhum professor catedrático respondeu ao questionário, o que limita o valor heurístico desta variável. 11 Dado que os valores mais elevados de toda a amostra provêm de um único inquirido que tem entre 40 e 44 anos de idade e é assistente (e portanto não possui doutoramento), experimentámos eliminar o seu contributo para as médias parciais destas categorias. Ainda que fazendo baixar o respectivo valor, as variações mantiveram-se tal como acabaram de ser descritas, embora «aplanadas». 12 Os utilizadores de Macintosh recorrem ao browser nativo Safari (um deles afirma usar o Outlook Express -- e não a aplicação nativa Mail.app --, o outro não dá resposta acerca do programa de mail). 13 Num dos casos o somatório é 14, abaixo da média de 15,28 por um valor tangencial; nos outros está acima desta. 14 Dois dos casos estão suficientemente distanciados da média de 5,2 -- um deles é aliás o mais «avançado» para qualquer dos indicadores --, mas o outro soma apenas 3, apesar de se situar acima da média na «utilização passiva». 15 Quer para este grupo de questões quer para o seguinte, há casos em que não se atinge o pleno de respostas dos inquiridos. Em todo o caso, as percentagens são calculadas a partir da totalidade das respostas potenciais, i. e., 25 respostas = 100%, ainda que nos gráficos não apareçam as ocorrências de «Não Responde». 16 Estão aí, por exemplo, os mais frequentes leitores de jornais online ou da Wikipedia, mas esta ligação não é acompanhada pelas outras variáveis de qualquer dos grupos. 17 Não é claro se se trata de uma questão de desconhecimento da nomenclatura ou do serviço em si, em particular no que tem de distinto por comparação com os periódicos «clássicos», que estão para os serviços sociais de notícias tal como uma fonte noticiosa está para um jornal. 18 Tomando como pontos de referência o aparecimento do Flickr em 2003 e o do YouTube em 2005. 19 Sete dos inquiridos, isto é, 28%, não fazem qualquer tipo de utilização activa da WWW, e outros 9 (36%) só o fazem para uma das 12 categorias de serviços apresentadas. Só para um dos inquiridos temos quase o pleno: apenas não utiliza serviços de armazenamento online de ficheiros. 20 Por ser inesperada essa tão reduzida adesão, não havia nenhuma questão que indagasse acerca das razões para não se ter site pessoal, pelo que apresentamos apenas conjecturas. 21 Neste inquérito, não diferenciámos entre os newsgroups mais «clássicos», comummente de tipo temático, e as mais recentes «redes sociais» como o MySpace, o Hi5 ou o Facebook. Em estudo posterior talvez se torne aconselhável proceder a essa distinção, já que acompanha a transição da «Web 1.0» para a «Web 2.0». 22 De que são exemplo o Google Docs & Spreadsheets ou o Zoho. 23 Sendo o livro de Rogers de difícil acesso, recomenda-se a leitura do artigo que inspirou a sua teoria, e que aplica o modelo à adopção de novas técnicas agrícolas (Bohlen e Beal, 1957). 24 Eventualmente com os representantes das ciências físicas a caberem nas duas primeiras categorias -- de novo uma especulação a carecer de uma análise empírica. 25 Cf., a esse propósito, um curto mas esclarecedor texto de Peter de Jager, «The Danger of the “Early Adopter” Myth» (Jaeger, 2005).
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| Last Updated on Saturday, 07 November 2009 13:17 |




















































